sábado, agosto 30, 2008

Acontece que eu cansei do ah-pode-ser-por-mim-tanto-faz-você-que-sabe, vocês são excessivamente previsíveis e a única coisa que me surpreenderia seria um pouquinho de atitude - é simples e deveria ser essencial em qualquer ser humano. Se eu assinei algum contrato onde me responsabilizo por tomar o primeiro passo, decidir as vontades alheias ou ser paciente com a inércia que vocês se encontram, estou rasgando-o neste exato momento - e, me desculpem, mas me sinto incrivelmente bem por isso.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Abri a geladeira: dois ovos, uma maçã, uma caixa de leite pela metade e vidro de ketchup. Para a merda, todos vocês. Não há mais creme dental, encostei Vicente na parede e beijei-lhe a boca; quero compartilhar bactérias. Ainda tenho sete cigarros, mas eles acabarão logo - e você se incomoda com a fumaça, se abana tal qual moças frescas com seus leques e sombrinhas passeando pelo centro, eu respondo: que só assim aturo teu cheiro podre, que precisamos de sabonete. Então você se levanta - e eu me sento no canto da sala - e aí liga o som, Mozart, sorri - enquanto eu lembro da tarde e fico sozinha com os meus fantasmas.

Cristina abre a geladeira e pergunta o que teremos para almoçar, quero responder que nada, não teremos nada; continuo imóvel, muda, enquanto Mozart parece ficar cada vez maior. Cristina, tu deverias comer as próprias samambaias, come tuas próprias orquídeas, Cristina. (Tua tosse nos sufoca, tu esperas a morte enquanto conversas com lírios?) Quero gritar: tome um xarope para tosse!

quinta-feira, agosto 28, 2008

Não durmo, te observo - e não há nada de gracioso nisso. Então de repente somos soldados no forte e só posso fechar os olhos quando você os abrir, tudo está hermeticamente planejado para a nossa segurança, minha cabeça pesa mas há a inquietação, nossas fardas, o capitão. Estamos protegidos, durma tranqüilo (mas não ronque tanto assim, porco).
Nada, só estou respeitando o seu silêncio.