quarta-feira, janeiro 28, 2009

Não se faz mais Modiglianis como antigamente, eu respondi.
"Três filmes que abordam a loucura interna humana", a televisão me disse agora.

E eu me pergunto no que consiste a loucura externa humana: trata-se da conseqüência da loucura dos demais invidíduos da sociedade? A loucura dos demais indivíduos da sociedade não é a soma de uma série de loucuras internas? Até que ponto pode-se distinguir a loucura interna da loucura externa? Digo: até que ponto podemos saber o que é nosso e o que é reflexo do meio em que se vive? Além do mais, não consigo imaginar um filme que aborde a loucura de vacas e porcos, o que torna a frase "três filmes que abordam a loucura interna humana" completamente patética. Esse comercial me atormenta e eu gostaria do fundo da minha alma que ele parasse de passar tantas vezes.

segunda-feira, janeiro 26, 2009



O ápice da delicadeza; cada segundo cerzido com o mais absoluto cuidado, cada detalhe muito-bem-trabalhadinho, assim, lindo, lindo.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

- Nem tudo tem que ter um motivo.
- Tudo tem que ter um motivo, senão boiaremos num grande e monstruoso vazio, você fica satisfeito em boiar num grande e monstruoso nada?
- Não.
- Então por que você está boiando?
- Nem tudo tem que ter um motivo.
- Por que você está repetindo incansavelmente essa frase? Isso me soa mal, é um subterfúgio.
- Porque você não pára de me fazer perguntas, estou cheio.
- Mas isso torna nosso diálogo cansativo, enjoado e nada inteligente.
- E porque eu não tenho intenção de construir um diálogo inteligente, também.
- Você tem a intenção de construir diálogos pobres?
- Não.
- Você tem a intenção de construir o que, então?
- Não sei.
- Como não sabe? Você tem que saber o que você quer construir e o que você quer destruir em você mesmo, nos outros, no todo.
- Mas eu não sei.
- Você sabe o que você quer destruir, pelo menos?
- Não.
- Não mesmo? Pense bem.
- Eu quero destruir você.
- Por quê?
- Porque você não me deixa em paz.
- Mas eu estou sempre com você, eu sou o seu Cérebro, sua Razão, quero dizer: se você me destruir acabará se destruíndo também, você é auto-destrutivo?
- Não.
- Então você não vai me destruir.
- Pelo menos fale mais baixo.
- Por quê?
- Porque você está gritando, isso me deixa louco.
- Por que estamos escrevendo com eu-lírico masculino?
- Porque é um diálogo do homem com a mente, o homem enquanto sociedade.
- Por que você está escrevendo um diálogo do homem enquanto sociedade com a mente? Digo: isso vai mudar sua vida em algum aspecto?
- Pára de gritar!
Quarto dia

Esperar o dia depois de amanhã é a maior sensação de vazio existencial que alguém pode experimentar. Muitas horas quieta, parada, olhando.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Das coisas mais bonitas:

"A cadeira é cadeira e o quadro é quadro porque te participam." Vinicius de Moraes (e quem mais poderia?)
Das coisas que minha insônia me ajudou a perceber:

dublagens incomodam, eis um fato indiscutível, a minha surpresa foi descobrir que dublagens mal feitas podem jogar um filme inteiro no lixo. Antes do Pôr do Sol dublado transformou Celine na personagem mais enjoada de todos os tempos e Jesse num babão sem-graça. Urgente: peço a revisão do Código Penal, coisas desse tipo são criminosas.