sexta-feira, julho 17, 2009

o último número:

o meu compromisso com as palavras não cabe mais num blog. preciso voar muito mais alto.

quero deixar isto aqui intacto para que, um dia, eu possa me lembrar do que fui. e morrer de rir, provavelmente.

que seja bonito aquilo que vem depois - seja lá o que for,

quarta-feira, julho 15, 2009

não sei viver quando as coisas saem do tom, nunca aprendi

tenho vontade de mandar que parem e comecem tudo
novamente, outra vez e outra,
outra, viver não pode ser um lixo de sinfonia, é proibido

tudo está excessivamente fora do tom, eu disse a M. noutra tarde, eu saio daquela salinha, compreende? eu saio,
encosto a porta, fico toda do lado de fora
anotando que meu ouvido não suporta, não suportaria

segunda-feira, julho 13, 2009

desabafo:

eu tenho horror a quem me pede uma oportunidade. eu não sou agência de RH.

além do mais, estou deveras cansada de hipocrisia: AMO cuspir nos pratos em que comi, em todos eles. não quero mais comer, não estou mais com fome, qual é o problema em dar uma cuspidinha?

eu sou suja. e verdadeira.
não quero carinho, quero caminho.
estou reconstruíndo o hímen do que te escrevo, tudo muito puro,
casto, intocado (ninguém nunca pôs os olhos)

os que passaram por aqui, não passaram: aqui eu posso criar o passado: aqui, dentro das minhas grades, eu tudo posso:

minha literatura, a partir de hoje, é virgem

(e quero um acento circunflexo em acordo quando significar consentimento, concordância, comum acôrdo. aí poderei dizer, livremente, sem acento: acordo entre minhas duas partes - quando amanheço, quero dizer, do verbo acordar) depende do contexto! mas é que eu não tenho contexto, sou toda solta
de mim mesma

- vida, minha vida, ah minha vida tão presa nos vitrais! não me desperceba.

izabel é uma personagem que sente falta de ser escrita. de vez em quando aparece para me lembrar que eu fui má e a abandonei. estamos de mal, temporariamente - briguinha boba, coisa de nada.

- chorei três dias, desde a última vez. estou morrendo de sentir, escorro.

izabel é feita de manteiga, duma sensibilidade gritante e assustadora. já expliquei que não tenho condições psicológicas para continuar um livro agora:
quero literatura solta e virgem, quero descobrir
o ritmo

estou vivendo de esboços

sexta-feira, julho 10, 2009

pessoa humana não é pleonasmo, conheço muito humano
que não é pessoa e muita pessoa que não é nada nada
humana, compreende? acho tão complicado de se viver

foi a menina que disse na televisão, logo ri e chamei de burra,
"ele é uma pessoa humana",
depois me chamei de burra, quando parei
para pensar (fiquei toda séria)

nesta sexta-feira, entre pessoas e humanos, prefiro meus sushis

e vou incorporar vinicius de moraes só para
cantar ao telefone eu-não-vou-ir
melhor-nem-pedir-eu-não-vou-ir-não-quero-ir

e eu lá sou cachorro pra ficar revirando lixo?
e eu lá sou passarinho pra comer migalhas?
e eu lá sou pessoa? e eu lá sou humana?

estou buscando somente beleza e verdade, de resto fico com nada

quinta-feira, julho 09, 2009

V

- É que eu acabei de ter um déjà vu.
- Não tenho tempo para palhaçada.
- Vai dizer que você nunca teve um?
- Estou dizendo que quero ir direto ao assunto.
- Dizem que é um defeito no cérebro. Ou nos olhos.
- É, dizem.
- No cérebro? Ou nos olhos? Em qual opção você acredita?
- Acho que é uma coisa espiritual, não sei.
- Como assim?
- Coisa de outras vidas, sei lá, não entendo muito.
- Mas como assim?
- Já disse que não sei direito.
- Acho mais provável ser um defeito no cérebro.
- Tenho que desligar.
- Não, espera, nós precisamos conversar.
- Fala.
- É que fiquei um pouco desnorteada com....
- O déjà vu.
- É tão estranho! Você já teve um?
eu já te contei sobre como meu rosto ficava
bonito de sorriso quando eu fechava
os olhos para te ver?

quarta-feira, julho 08, 2009

uma criança de oito anos leu em voz alta e me perguntou o que significa "quanto mais se lapida, mais longe se fica do verbo to be". enquanto eu tentava inutilmente explicar, ela me perguntou o que significa lapidar. eu sorri e quis dizer a ela: significa que todos nós deveríamos estacionar nossas almas nos oito anos.
jazz é verdade musicada.

clube da esquina nº 2

eu fiquei o tempo todo olhando para as mãos
muito negras tocando violão, depois respondi que não tenho muita certeza a respeito
do nome daquela música

(mas você viu a tradução? - so i want to see the people, people, people. eu sempre pensei naquele a gente como um nós curtinho. i want to see us.)

lembrei instantaneamente daquela vez em que eu disse que não sabia ao certo como conseguiria
chegar ao fim do dia,
eu fico mesmo toda nervosa só de lembrar

terça-feira, julho 07, 2009

hoje desenhei o esboço de um planinho, mostrei a eles enquanto agitava as mãos e falava sem parar. mais devagar, eles pediram. depois me arrependi, fiquei muito exposta - você não acha? dei um gole no café, como quem tenta uma vírgula. estou transbordando vida, não caibo em mim.

minha estante de livros cairá a qualquer minuto, já fiz minha contribuição de hoje porque, veja você, eu não tinha nenhum mário de andrade no panteão. coisa séria. a qualquer minuto minha estante de livros cairá em cima do computador. eu não terei mais computador. nem estante de livros. acho muito engraçado. pode acontecer a qualquer minuto, no próximo, agora. fico me perguntando se eu vou levar um susto. talvez eu até grite ou fique muito ferida, caso algum me acerte. eu aqui muito bem e paf! fico toda rindo quando imagino e olho para cima.

(não sentirei sua falta, sentirei falta do seu carinho bom)

um favor muito sofisticado exige o tempo integral das próximas semanas. não precisa nem terminar de pedir, faço porque minhas mãozinhas coçam quando vêem argila fresca, eu sou uma viciada maldita. estou admitindo isso
agora, às 04 e 50 da manhã,
com uma dor de coluna brutal e um sorrisinho
satisfeito no canto do rosto. (a cara tão lavada!)

não consigo seguir uma linha de raciocínio. não estou sabendo lidar com o ritmo de linguagem acelerada aqui dentro-dentro.

minha alma perdeu o freio. coisa séria.

quinta-feira, julho 02, 2009