domingo, agosto 30, 2009

Tenho um amor platônico por Duane Michals - e até nutriria algum tipo de esperança, se ele não fosse homossexual. C'est la vie.
Uma vez mostrei a alguém que o achou muito raso. RASO. Em casos assim, a melhor (única?) opção é tornar-se instantaneamente católica e suplicar mentalmente: perdoai-o, ele não sabe o que diz.
"The unfortunate man could not touch the one he loved. It had been declared illegal by the law. Slowly, his fingers became toes and his hands gradually became feet. He began to wear shoes on his hands to disguise his pain. It never occurred to him to break the law."
Aqui uma das melhores entrevistas de todos os tempos. Uma delícia.
"You have said that you felt you were now between two ages and obsessed by the idea that desire can fade. Do you mean desire or lust?
DM: Both, it’s complicated. Lust changes. Desire changes. The greatest of all desires being the desire to “be”. Sexual eroticism is at the service of that essentially because once one loses lust, one can live without sex, but once one loses the desire to live, to be, it’s over. Life is constantly expressing itself against all odds. Things grow through cracks. But eventually that instinct to survive goes when people get quite old, when they’ve done the business of their lives and all their compatriots, peers, and friends have died. Everything changes, especially lust. What I found very attractive when I was younger, I no longer find that interesting. Where once I was dazzled by the big bang theory of sex, I now pay much more attention so that I can enjoy the pleasure of something as subtle as the texture of skin. It’s a kind of wisdom that comes with age. One slows everything down and no longer misses the things one missed in the haste, the impatience of youth. One begins to realize that everything is so fleeting and transient that when there is a good relationship, or a good dinner or conversation, it becomes that much more important. Desire fades but the attention to detail becomes much more intense."

terça-feira, agosto 25, 2009

VI

- Não gosto de pessoas que falam sobre cinema, literatura, arte, música. Não gosto de pessoas que falam sobre política, meio-ambiente. Não gosto de pessoas que falam sobre a novela cafona da Glória Perez. Não gosto de pessoas que falam sobre o fim de semana. Não gosto de pessoas que falam sobre o trânsito, o calor do Rio de Janeiro, a mãe.
- Você gosta de pessoas que falam sobre o quê?
- Não gosto de pessoas que falam sobre.
- Às vezes eu fico me perguntando se você existe mesmo.
- Eu também.

segunda-feira, agosto 10, 2009

correspondência:

eu sou vaidosa, sim, de fato. muito arrogante, também, está certo. tenho um leque de defeitos coloridos - e sou dona da verdade, como eles gostam muito de dizer e você perdeu a oportunidade. sou inteira dona da minha verdade. das outras tantas eu não sei. e quem sabe? (outro dia me peguei escrevendo, lembrei: assumo compromissos com a verdade mas muitas vezes chego atrasada, perco muito tempo me perfumando). fico toda confortável para te fazer respostinha pública e fingir literatura para os olhos que por aqui fingem que não passam:

a vida não é uma repetição. a vida, no bruto, é uma repetição. mas a vida não é o bruto. a vida é tim-tim-por-tim-tim, a vida é entre. eu gostaria de encontrar alguém que me respondesse que sonhou que os cisos nasciam quando eu perguntasse: como foi seu dia? eu sonhei que meus cisos nasciam e meus dentes entortavam imediatamente, um por um, efeito dominó, aterrorizador. mau agouro, eu li no dicionário de sonhos. depois ri. (eu sempre rio depois. você se enganou, pensou errado, eu não rio durante.)

emburrei-me e não quero mais saber de Bliss falso que amassa a cabeça e mutila o cliente de Holmes. nem Bliss verdadeiro. nem bliss de morango da nestlé, esse que você não bebia enquanto me escrevia. estou fazendo bico e cruzei os braços, tenho doze anos.

a escritora é muito boa, sim - "não usar a palavra bliss em vão", ela diz. vale a pena procurar saber, mas você não vai gostar dela. só quem presta é castaneda, não é mesmo?

enquanto eu te escrevia tudo isso, não surgiu nenhuma flor de plástico no monitor. achei estranho. fiquei esperando. nada. nem sinal. (não abandonei o blog, abandono é uma palavra feia. estou aqui. mas, cá entre nós, achei piada essa história de emocional abalado.)

feliz dia dos pais, ainda dá tempo?