sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Mas é que estava tudo tão bonito em volta que eu não consegui prestar atenção. Fiquei ali, imóvel, olhando pras beiras, toda desarmada.

Só volto a mim quando chamarem meu nome.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Ah, os inteligentes!

(e aquela cara de quem não faz sexo desde 1983 mas já assistiu Godard - pra compensar.)

Se o mundo fosse dividido entre os que lêem e os que não lêem, haveria a mesma quantidade de imbecil nos dois lados. Simplesmente porque ler não te faz uma pessoa melhor. Qualquer pessoa alfabetizada pode ler, escrever e fazer tudo que você faz. Basta querer. Escrever não te faz uma pessoa melhor, você só está juntando palavras, qual é o mistério? Que diabos significa essa superioridade? Eu ficaria mais orgulhosa se, sei lá, eu conseguisse encostar a língua na ponta do nariz. Nem todo mundo consegue.

Assistir Godard não te faz uma pessoa melhor. Tirando seu grupinho de meia dúzia de débil mental, ninguém vai te achar mais legal por conta disso. Você vai continuar respirando cecê dos outros no ônibus, mesmo sendo tão instruído.

As coisas mais importantes que já ouvi vieram de pessoas que não têm o costume de ler e não sabem quem foi Fellini. Eu me apaixonaria por cada homem por quem me apaixonei mesmo se fossem analfabetos. O que me interessa é o que está atrás. Quem é você? Você não é as músicas que você escuta, você não é os livros que você lê. Quem, afinal de contas, é você?

Conclue-se, e é tudo que quero dizer, que estou verdadeiramente cagando se você lê Tolstói em mandarim, portanto desça do palanque, abaixe o queixo e não me confunda com os seus.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

dos porquês:

Eu enjôo rápido das pessoas porque elas são muito enjoativas. Não tenho a mínima parcela de culpa. Tudo muito simples: se não fossem, eu não enjoaria. Mas, infelizmente, não há nada que eu possa fazer a respeito disso porque não tenho filhos nem sou babá. Ou seja, não tenho obrigação de ensinar como devem se comportar.

Pronto, penso que a questão está respondida com clareza. Menos uma.

mudando de idéia - parte III

(descartar a espécie calor-anão porque não causa cócegas. considerar com seriedade a possibilidade de deixar as portas escancaradas para que o Calor retorne quando assim decidir. pois se a vida, esta que me invade, é de arder - arderemos.)

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

E te afastar só para poder escrever, aliviada: senta aqui, me olha meio bobo, vamos comer mexilhão, faz menos distância de mim.

Aqui dentro um coração faz tic-tac quando te supõe. Aqui dentro um coração só faz tic-tac por suposições. (Como explicar? Apóio o queixo na palma da mão e torço a boca para pensar num jeito. Acompanhe o raciocínio e o charme despretensioso do gesto.)

É com pesar que muitas vezes olho o relógio, está na hora, recuo. Perdoem-me, senhores, é que no fundo eu sou casada.

sábado, fevereiro 06, 2010

Carregar destino nos ombros é cargo pesado - ah se minha sina é maior que eu mesma! (Transpondo-me, como manter-me?)

Narciso é meu pastor

(e pergunto-me, então, ao mirar minhas próprias - mil - faces:
o que seria de mim sem mim?)

e nada me faltará.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

"(...) ainda pensou: gosto tanto de você, baby. Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias. Você me ama pelo que me mata."

Caio Fernando Abreu