quinta-feira, abril 29, 2010

É que viro pra olhar seu nome pichado num muro, por exemplo. Reservo certo tempo para virar-me, encarar, constatar se leva acento no mesmo i, só depois volto o tronco para o sentido correto. Sou cuidadosa.

domingo, abril 11, 2010

(tanta coisa escondida
na porta dos meus fundos)

Miles Davis pelo avesso,
deserto,
causa pequenos arranhões
nas órbitas dos meus olhos
(ver dolorido é sintoma,
cegueira é remédio)

sexta-feira, abril 09, 2010

the last Kubrick


O maior prazer da minha vida seria amarrar David Lynch numa cadeira de frente para uma televisão passando Eyes Wide Shut ininterruptamente. Mas digo pra sempre mesmo. Até ele morrer.

Pelo menos na próxima encarnação ele já viria sabendo que dá pra fazer aquilo que ele tem vontade de fazer sem precisar ser ridículo.

De Olhos Bem Fechados é uma delícia.

O que nós vamos fazer hoje?

(e outros mimimis)

Um homem precisa ser um homem. Há uma diferença enorme entre ser um cavalheiro e ser uma bicha. Eu não sou sua mãe. Eu não vou te levar pra passear. "Você que sabe." Não, eu não sei de nada. Eu não sei escolher nem se eu quero churros de creme ou doce de leite. Para escolher lugar no teatro preciso ponderar a questão por quarenta minutos, pelo menos. Pode escolher meu churros. E a poltrona, a peça, o horário, o restaurante, o motel e o nome dos nossos filhos. Tenho coisas mais importantes para ocupar minha cabeça. É muito fácil saber o que eu quero assistir, portanto compre nossos ingressos e me comunique. Ficarei satisfeita e te acharei um bom rapaz. Ou você quer, também, que eu te leve em casa e te coloque pra dormir, seu bebê chorão? Quer que eu escolha a marca da sua fralda? Você curte a Pampers noturna? "Por mim, qualquer coisa que você escolher tá bom." Great. Então some, tá bom?

quinta-feira, abril 08, 2010

OH GO TO TEXAS, SWEET!

Sou uma pessoa muito tolerante, embora não pareça. Digo isso com plena convicção. Disponho meu precioso tempo para me comunicar com um outro alguém, me empenho para tentar encontrar uma forma de fazer as coisas funcionarem - às vezes sendo um pouco dura, um pouco crítica, um pouco exagerada, é verdade. E não importa. O fato é: comunico-me. Acredito que a comunicação é um dom preciosíssimo inato ao gênero humano e não nutro nenhum tipo de admiração por quem não coloca as coisas pra fora. Se eu fosse intolerante, viraria as costas e iria embora frente a primeira palhaçada exposta. Não é o que eu faço.

Outro fato interessante é que, se é verdade que me chateio com facilidade, também sou dotada de uma grande capacidade de perdoar. Logo esquecerei que você tentou envenenar minha sopa. Sou ótima, como se pode perceber.

E tenho limites. Primeiramente porque quem insiste em situações que não obtiveram nenhum êxito, repete os mesmos erros todos os dias ao acordar e não tem capacidade de enxergar que está fazendo besteira, na minha opinião está implorando um passaporte para o Texas. Aqueles que não só tentam envenenar sua sopa, mas enchem sua casa de dinamite e no final te apontam uma metralhadora. Extrapolam o limite da tolerância.

Creio que estes deveriam, ao fim de uma situação desagradável, imediatamente receber um telefonema com uma proposta de emprego milionária e irrecusável no Texas. Não desejo que ninguém sofra, que ninguém efetivamente morra, o Texas é um lugar aprazível e dinheiro é sempre bem-vindo. Desejo que sejam todos muito felizes comendo um texas burger, casando, tendo filhos sadios e fazendo fortuna. LONGE DE MIM.

"Go to Texas!" é o novo "vá pro inferno!". A diferença é que agora não é importante que ninguém sinta muito calor ou seja espetado por tridentes. I don't give a damn. Para me satisfazer basta estar a quilômetros de distância, basta eliminar por completo a possibilidade de um encontro ocasional.

Do contrário precisarei continuar repetindo: I see dead people. All the time. They're everywhere.

domingo, abril 04, 2010

- Mas é que você sempre fica com um pé atrás...
- Sinta-se privilegiado, geralmente fico com dois.
- Por quê?
- Ginástica pros joelhos.
- Estou falando sério.
- Ninguém vale um real, Frank.
- E pare de me chamar de Frank.