terça-feira, junho 29, 2010

Adoro quando me chamam de insensível. Significa que estou cada vez mais perto de concorrer ao Oscar.

segunda-feira, junho 28, 2010

Acabei de ouvir Whitney Houston cantar a frase "stay in my arms if you dare" e achei muito digno. Depois me xinguei de cafona. Necessariamente nessa ordem.
Um saco ser obrigada a discutir diplomaticamente com quem não tem base pra sustentar o que diz. Vontade louca de dizer: toma 10 anos de Sustagem e depois volta pra gente conversar.

terça-feira, junho 22, 2010

E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis, como já bem disse Caetano.

domingo, junho 20, 2010

Não há versão verdadeira de nenhuma história. Todas as versões são verdadeiras para quem a conta. Não há a realidade da coisa porque a coisa só existe se você decide concebê-la como existente.
Basta de trocar fraldas.

quinta-feira, junho 17, 2010

Você não é um cafajeste.

Um dia entenderei por que quase todo homem sonha em ser um cafajeste. Há coisas mais legais para querer ser. Vocês poderiam sonhar em fazer fortuna, por exemplo. Dólares. Seria um caminho mais fácil para uma noite de sexo, caso esse seja o objetivo. Eu conheci pouquíssimos cafajestes e digo: é preciso ter estrela. Tudo muito normal, questão de talento: há uns que nascem com uma aptidão brutal para o crime, alguns para a cozinha ou para a mecânica, outros para enganar. Dom. A maioria não sabe nem por onde começar. Não sabe nem mentir, não sabe nem... Nada. Não sabe nada. Não sabe nem o bê-a-bá e quer dar aula de lingüística. "Eu não presto." Tá legal, se isso vai te fazer mais feliz: você não presta, amigão, três vivas em homenagem.

terça-feira, junho 15, 2010

Morro de medo de mim. Ameaço escorregar e logo ao me recompor não economizo súplicas de perdão. É que me olho de um jeito muito tirano. Constantemente me sinto intimidada por mim mesma.

terça-feira, junho 08, 2010

ensaio desorganizado sobre alguma coisa:

- Porque sou toda feita de nada, desmancho-me à toa; hora sim, hora não. Experimento de nanquim: teimam em me dizer pronta quando ainda sou esboço mas insistem em me xingar de ensaio quando me percebo inteira. Careço de precisão. Eu deveria mesmo é ser descartada na primeira oportunidade, mas fico guardada há décadas na intenção de um Royal Straight Flush. Bocejo. Vigiam-me.

Temos, então, Izabel. Para mim, ruiva de longas tranças. É a maneira que eu a penso, embora não possa afirmar que seja realidade. Cada par de olhos é uma realidade, um mundo distinto. Prova disso é que se estou sentada a observar centenas de corpos que passam por mim e me ponho a anotá-los em grupos de adjetivos, certamente ao final da noite minha lista terá pouco em comum com a sua.

Mas não encontramos Izabel entre centenas de corpos. Nossos olhos não a escolheram, entretanto, como num susto, ela apresenta-se. Nossa mente imediatamente processa uma gama de informação e a transforma em imagem, já que precisamos enxergá-la.

Podemos fazer mil associações.

Estando sentada em frente ao aglomerado de pessoas, meus olhos não se fixam no desinteressante; se o fizer, posso afirmar que apenas para repousar as pálpebras. A visão vive uma eterna busca daquilo que nos renderá satisfação, preenchimento. A primeira coisa que podemos dizer a respeito da visão, certamente, é que se trata de um sentido sexual.

Há sempre um motivo que nos leva a parar – e ver. (Porque é necessário parar para ver, do contrário nossos olhos apenas passeiam.) Eu não sei o que te causará esse interesse; você, na maioria das vezes, também não sabe. Não porque você seja incapaz de descobrir, mas se pensássemos nisso cada vez que nossa vista fosse atraída, certamente enlouqueceríamos.

Posso dizer que seus olhos passeiam por uma longa exposição e param em frente a um quadro específico quando sentem prazer. O conceito de prazer é inteiramente pessoal e mora em locais inimagináveis.

Nunca pensamos à respeito. Nossa aventura ocular é estritamente inconsciente.

Num segundo caso, se sentada em frente ao aglomerado de pessoas e uma delas, até então não notada, repentinamente apresenta-se a mim, minha mente imediatamente processa a imagem vista e transforma em conceitos, palavras, adjetivos, já que precisamos defini-la.

Não tenho idéia se estou pensando de acordo com a realidade, assim como não posso dizer se enxergo Izabel tal como ela é. Portanto a visão é, também, um sentido puramente imaginativo.