domingo, outubro 31, 2010

Você sabe que não vive mais nesse mundo quando só lembra que é dia de eleição às 18:50 hrs da noite. Muito prazer, meu nome é Natasha e eu esqueci de votar.

domingo, outubro 24, 2010

decreto

devemos perder o apetite
e esse pensamento teimoso
nas tuas mãos que relutam em tocar meus ombros
(nos meus ombros que relutam em tocar tuas mãos),
essa coisa cismada.

é porque você me despetala!
aí entro em nítida alternância,
viro margaridinha:
bem-estar, mal-estar, bem-estar, mal-estar...

domingo, outubro 17, 2010

quinta-feira, outubro 14, 2010

midnight story:

Era uma vez uma mulher que esbarrou com sua imagem refletida num espelho qualquer, talvez até mesmo desses de elevador, e se perguntou:

- Quem é essa dublê? Quem escalou? Não convence.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Elizabeth Gilbert:




Quero declarar que a partir de hoje eu não tenho mais preconceito com escritor de best seller. Mentira, tenho sim. Não vou comprar meu ingresso pra assistir a Julia Roberts comendo, rezando e amando - mas o discurso acima me tocou como poucos.

domingo, outubro 10, 2010

saudade de atacar meus amiguinhos:


Ponto de Partida é constrangedor. O pior é que consegue-se perceber claramente o teor do filme, o que o diretor tentou fazer - mas falhou. E fracassar em exposição é triste, muito triste.

Para não ser de todo invalidado: há uns dois ou três diálogos que se salvam. Réplica: ninguém assiste um filme com intenção de dois ou três diálogos.

Poucas vezes na vida senti tamanha vergonha alheia como nos últimos minutos. É por essas e outras que sou adepta ao: se não sabe fazer, tira a mão.

Para bom entendedor: Alejandro González Iñarritu, por favor promova workshops aos seus coleguinhas de profissão. They just don't know how to do it right.


aproveitando a oportunidade...
Paul Thomas Anderson, apesar de ter seu mérito de primogênito, também não foi feliz no resultado da fórmula. O fato é que Magnólia é um saco. Ninguém gosta de Magnólia. Quem finge que gosta de Magnólia é chato e quer aparecer. Esta é uma verdade absoluta.

Agora vá buscar papel e caneta para anotar um conselho: não tenha medo de dizer que você estava com cãibras e não via a hora do filme terminar. Caso alguém queira se gabar às suas custas dizendo que você não compreendeu a mensagem do filme e te azucrinar com a teoria do Exôdo
8:2 e afins, vire o rosto com uma expressão zangada e diga: talk to my hand.

dos motivos:

Às vezes acho que escrevo por puro ceticismo. Eu duvidaria se me contassem, por exemplo, que há exato um ano eu sentia intensa dor nos cotovelos. Depois sorriria debochadamente e diria "sei" como quem diz "até parece". Preciso escrever para produzir provas.

C. G. Jung em Análise de Sonhos, seminário ministrado de 1928 a 1930:

"É também exatamente o que a natureza faz no corpo físico. Se você tem um corpo estranho em si, a natureza manda um exército de células especiais para assimilá-lo; se elas não têm sucesso em absorvê-lo, há então a supuração para fazer a expulsão. As leis são as mesmas na mente inconsciente.

Provavelmente na realidade absoluta não há uma tal coisa como corpo e mente, mas corpo e mente ou alma são o mesmo, a mesma vida, sujeitos às mesmas leis, e o que o corpo faz está acontecendo na mente. Os conteúdos de um inconsciente neurótico são corpos estranhos, não assimilados, artificialmente cindidos, e devem ser integrados de modo a se tornarem normais. Suponhamos que algo muito desagradável tenha me acontecido e eu não o admito, talvez uma mentira terrível. Eu tenho que admiti-la. A mentira está lá objetivamente, seja no consciente ou no inconsciente. Se eu não admitir isto, se eu não o assimilei, isto se torna um corpo estranho e formará um abcesso no inconsciente, e o mesmo processo de supuração do corpo começa, psicologicamente, assim como tem lugar no corpo físico. Eu terei sonhos, ou, se introspectivo, uma fantasia vendo a mim mesmo como criminoso. O que farei com estes sonhos ou fantasias? Pode-se rejeitá-los, como o fariseu, e dizer "graças aos céus, eu não sou assim". Há um fariseu assim em cada um de nós que não quer ver o que ele é. Mas se eu reprimir minhas fantasias acerca disso, elas formarão um novo foco de infecção, assim como uma substância estranha pode causar um abcesso em meu corpo. Quando é razoável eu tenho que admitir a mentira, engoli-la. Se eu admiti-la, assimilo aquele fato, adiciono-o à minha constituição mental e psicológica; eu normalizo minha constituição inconsciente assimilando fatos. O sonho é uma tentativa de nos fazer assimilar coisas ainda não digeridas. É uma tentativa de cura."



Jung tem sido a melhor companhia dos últimos tempos pelo fato de pacientemente me colocar no colo e explicar - com doses cavalares de coerência - o que ninguém nunca conseguiu. Estamos apaixonados e em lua de mel. Favor não incomodar.