segunda-feira, abril 25, 2011

Das idéias que já acostumei:

1) Assumo riscos. Faço tudo que quero e pago cada conta, respondo por todos os meus crimes. A vida e eu estamos sempre quites - ninguém deve nada a ninguém. Penso que, de tanto ir ao inferno e retornar, provavelmente já ganhei meu greencard. E acho graça quando encontro alguém desnorteado, eu que já sou de casa e criei certa intimidade com a quantidade de talheres à mesa, sei utilizá-los de fora para dentro e não faço cara feia quando é servido o pão que o diabo amassou.

Das idéias que ainda não acostumei:

1) Não será decretado feriado por conta da minha dor. Embora eu, num auge de megalomania, julgue estritamente necessário que o planeta (ou país, minimamente) se compadeça da minha situação emocional e libere todas as pessoas de seus respectivos afazeres cotidianos para que todos possam enfim aguardar em fila o momento de visitar o meu leito real, onde mereço permanecer deitada em posição fetal recebendo chás, flores e biscoitos suíços. Estou machucada. Contudo, os sinais de trânsito continuam a alternar entre verde, amarelo e vermelho. Os telefones continuam a tocar, os e-mails aterrissam na caixa de entrada, o preço do maço de cigarro sofre reajuste e eu sou obrigada a desejar bom dia aos rostos conhecidos. Uma ofensa ao meu ego, um verdadeiro disparate.

sábado, abril 23, 2011

"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar. Não há de ser em vão."

Caio Fernando Abreu em carta a Jacqueline Cantore, 18/04/85.

segunda-feira, abril 18, 2011

domingo, abril 10, 2011

um gosto de língua no céu



Delícia sensual de maçã. Tara que tem ímã. Uma das mais belas letras da música popular brasileira, indubitavelmente.

quarta-feira, abril 06, 2011

à volonté, monsieur

Não entro na frente de quem quer passar direto. Quem não viu, não é digno de tal. Não interfiro em caminho que não é meu.

terça-feira, abril 05, 2011

inverno

Naturalmente os lençóis esfriam quando tenho que me tornar uma mãe portuguesa, tirar as roupas molhadas do filho que brincou na chuva e então preparar um chá para curar a gripe que ainda não existe.

making off

Preciso criar uma frase em que eu possa usar a palavra eleger em tom conotativo, mesmo que em qualquer tempo verbal, depois manualmente prosear os arredores para construir um berço onde a frase possa encaixar-se confortavelmente, sem acordar. Veja bem: não que eu queira fazê-lo, não instituí esta tarefa para minha noite, não estava nos meus planos. Além do mais, eu detesto escrever. Contudo, caso eu não consiga criá-la, provavelmente a frase que ainda não existe brincará de circular minha mente até que eu enlouqueça. Ou seja, sou inevitavelmente obrigada a juntar meia dúzia de folhas em branco, exilar-me na varanda e rabiscar, quem sabe por horas a fio, até que o texto se faça. Quando eu descobrir a quem recorrer, juro que peço demissão desse cargo.

segunda-feira, abril 04, 2011