quarta-feira, agosto 24, 2011

obrigado por fumar

Carisma e retórica podem te convencer a qualquer coisa. Quem prova é Nick Naylor, representante da indústria de tabaco, o nosso anti-herói no delicioso Obrigado Por Fumar. Muitíssimo bem interpretado pelo até então desconhecido Aaron Eckhart, o personagem nos conquista a cada cena de uma comédia fina e sacana sobre o poder da palavra e a monstruosa força do marketing.

Depois desse longa de estréia, Jason Reitman ganhou todo crédito do mundo para brincar de dirigir bobagens posteriores, como Juno. Já disse a que veio. Passe livre e eterno.

não é mais um besteirol brasileiro

Nem tudo que parece, é.

Ainda mais difícil do que ser inteligente é ser inteligente e, além, usar uma maquiagem burra para conseguir comunicação com a massa. Polaróides Urbanas, a estréia de Miguel Falabella como diretor de cinema, não foi tão bem repercutido quanto deveria. Não estou sugerindo que aplaudamos de pé, apenas que o notemos. Em meio ao lixo cinematográfico nacional, não julgo ser um filme que deva passar despercebido. Afinal, não é de todo fácil usar uma abordagem leve, quase mansa, para revelar a violência psicológica que todos nós estamos expostos.

Marília Pêra - impagável! - faz lembrar qualquer atriz de Almodóvar por conta do drama caricato. Inevitável comparação. Além, com exceção do provável elenco de Malhação, todos os outros estão surpreendentemente afinadíssimos.

inversão

Até que me provem o contrário, não acredito que o mundo gire em vão e que fatos se dêem à toa. Preciso de provas para crer que nascemos a esmo. Pronto, agora sou cética.

da série: cenas da vida real

"- Ele fugiu de casa, levou as muda toda. Fiquei pateta da cabeça. Já tinha outro filho, já. Tinha esposa, tinha tudo. Mas ninguém me contou nada porque tiveram medo d'eu fazer, como vou dizer, uma tragédia, né? Olha, eu fiquei pateta."

Divórcio nas palavras de Dona Neuza, 82 anos.
Consultório odontológico, sala de espera.

sábado, agosto 20, 2011

Que grande engano seu, plebeu!

dos breves relatos cotidianos:

Hoje meu Corpo acordou procurando o seu. Notei que precisávamos, enfim, sentar para uma conversa séria, meu Corpo e eu. Após longos minutos e duas xícaras de café, sendo uma para mim e outra para Ele, creio termos nos entendido. Agora estamos bem ajustados e por ora não voltaremos a entrar em divergência.

segunda-feira, agosto 15, 2011

"O homem que diz "dou", não dá
Porque quem dá mesmo, não diz"

Vinicius de Moraes, Canto de Ossanha

making off

Não acredito na inspiração que me relatam, os Orgulhosos. Acredito em disciplina, trabalho. Compor em guardanapos de bar não passa de uma teatralidade desnecessária. Quero escrever, por exemplo, sobre o fato de estar debruçada em você, como quem ainda não caiu mas apóia o peso do corpo sobre as pontas dos pés. O que me falta é dedicação para esmiuçar, desenhar palavras. Há outros termos que venho pensando, como "morar em silêncios". Ou a expressão "desmedidos carnavais" para pontuar excessos. Escrever não é a melhor tarefa do mundo, não fiz esta opção e sou uma eterna indisposta quando trata-se de. Por outro lado sei que, inevitavelmente, tudo se fará.

quinta-feira, agosto 11, 2011

segunda-feira, agosto 08, 2011

Só enxergo o que palpita. Acusam-me de ter olhos muito graves, já que não vejo serventia no que não urge. Descarto. Sou simples: o que não pulsa, não é.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Já falo sobre bipolaridade há uns anos e é de conhecimento geral que sou plenamente cética em relação aos novos transtornos psiquiátricos que a indústria farmacêutica, com sua criatividade ímpar, teima em validar. Sempre evito trazer o assunto à tona porque passei anos estudando o tema e sobrou paciência zero para discutir com gente que não sabe o que diz. Quer se drogar, esteja à vontade.

O fato é que esbarrei em um documentário chamado Meu Filho Bipolar, no Discovery Home & Health, e estou mais chocada que nunca. Tudo bem se você acha louvável tomar remédios para seus pseudo-transtornos, o azar é todo seu, mas drogar uma criança de três anos porque ela faz pirraça é de uma covardia terrível. A seriedade aumenta se a criança em questão é seu próprio filho. Produzir um documentário tratando do assunto com normalidade torna-se uma aberração.
Os vídeos, que têm como objetivo comprovar o caráter bipolar das crianças, não apresentam nada além do que podemos ver ao vivo em qualquer shopping center, preferencialmente aos domingos: crianças mal educadas por pais visivelmente despreparados. Jogam-se no chão, choram, batem. Nenhuma delas precisa ser medicada, todas precisam da Supernanny.
Há um tempo conheci Thomas Szasz e me apaixonei. Como ainda não desisti da humanidade e sonho em um dia ver o produtor de Meu Filho Bipolar na cadeia, eis um vídeo que verdadeiramente merece ser assistido:

Guardo meu coração debaixo de 7 chaves e, por via das dúvidas, recentemente encomendei a oitava ao chaveiro.