domingo, março 31, 2013

Não se deve mexer numa ferida enquanto ela ainda está aberta. Excluso o fato de você ser, com o perdão da palavra, insano a ponto de intimamente desejar sangrar por todo sempre.

sábado, março 30, 2013

Escrevo entre burburinhos animados. Não fecho a porta justamente para ouvi-los com atenção. Talvez eu não me concentre como deveria no que estou fazendo, tendo em vista que sou apenas uma, ao menos pelo que dizem os graduados da ciência, e a mistura de sons confunde os afazeres, torna-os consideravelmente mais lentos. Porém, ainda assim, deixo todas as portas abertas. E as janelas. E os braços. Já faz tempo que joguei fora minhas armas, meus escudos, guarda chuvas e todas as minhas estratégias de guerra. Dispenso vacinas, anticorpos e capacetes. Estou exposta, escancarada, e talvez só por isso tenha acabado de queimar meus lábios com o café. Minha cara à tapa, meu peito descoberto. Venha o que vier, o que quiser vir. Eu não deixo passar direto o que é meu.

sexta-feira, março 29, 2013

O amor é extremamente possível. Depois de tanto tempo indo buscá-lo nos alpes mais altos, no fundo do fundo do fundo do mar, nas desventuras e impossibilidades, comendo asfalto, de repente você me pega pela cintura, me olha bem de perto - e eu compreendo, enfim, que o amor é lúcido, real e palpável.

domingo, março 24, 2013

o novo:

Marieta Sonoros é uma mulher que está sendo escrita, como todas nós. Ganhou um nome de nascença que quer dizer, creio eu, o diminutivo de Maria. É uma Maria pequenininha porque não passa de uma porção de palavras que serão lidas ao acaso. Não acredita em acasos, aliás. Marieta é uma supersticiosa.

Mais: http://www.marietasonoros.blogspot.com.br/
Detesto gentilezas obrigatórias. Detesto tudo que, ao longo do caminho, perde o sentido original.

segunda-feira, março 18, 2013

Estava com tanta sede de palavras! Estou me refrescando.
O dia amanheceu escuro e eu fiquei meio cinza, também, para acompanhá-lo. Até choraminguei pelos cantos, fiz queixas, não abri sorrisos. Quis combinar com o céu. Noutras vezes, então, ele é que me imita. Ficamos nessa brincadeira, nessa pouca vergonha. Somos muito amigos, temos essa intimidade.
Sou tão pequena perto de mim! Vou demorar léguas para chegar onde realmente estou. Não sei por que nasci tão alta. Se eu fosse baixinha, já teria me encontrado. Os baixinhos se julgam mais espertos, quando na realidade só nasceram perto de si. Quase não andaram, quase não viram. O que, cá entre nós, não é nenhum privilégio. Mas justo a mim coube uma viagem tão longa! Um dia encontro morada e, eu prometo, quando chegar aos meus braços não saio mais dali. Do meu colo. Enquanto isso, galopo. Ainda bem que sou incansável.
A Vida, como toda majestade, faz com que eu me curve e aceite Sua vontade. Esbravejo, esperneio, mas no fundo digo amém.
Não gosto de gente morando às margens de mim. Aos que não sabem nadar, sugiro que se retirem e continuem a caminhada.